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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Cabo Frio

Artigo publicado no site Alma Carioca contando a história de Cabo Frio, desde seus primeiros habitantes, há mais de seis mil anos.



A ocupação humana das terras onde viria se estabelecer a cidade de Cabo Frio teve início há mais ou menos 6.000 anos, quando um pequeno bando nômade de famílias chegou em canoas pelo mar e acampou no Morro dos Índios - até então pequena ilha rochosa na atual Barra da Lagoa de Araruama e ponto litorâneo extremo da margem de restinga do Canal do Itajuru.

Conforme as evidências arqueológicas encontradas nesse "sambaquí", que mais tarde seria abandonado pelo esgotamento de recursos para sobrevivência, o grupo nômade dispunha de tecnologia rudimentar e baseava-se numa economia de coleta, pesca e caça, onde os moluscos representavam quase todo o resultado do esforço para fins de alimentação e adorno. Há mais de 1.500 anos, os guerreiros indígenas tupinambás começaram a conquista do litoral da região.

Os restos arqueológicos das aldeias Tupinambás estudados na região de Cabo Frio (Três Vendas em Araruama e Base Aeronaval em São Pedro da Aldeia) e também nos acampamentos de pesca (Praia Grande no Arraial do Cabo), evidenciam uma adaptação ecológica mais eficaz que a dos bandos nômades pioneiros. O profundo conhecimento biológico da paisagem regional, em particular a Lagoa de Araruama e dos mares costeiros riquíssimos em recursos naturais, fez com que o pescado se tornasse a base alimentar dos tupinambás, reforçada pela captura de crustáceos, gastrópodes e moluscos.


A vegetação de restingas e mangues da orla marítima oferecia excepcionais possibilidades de coleta de recursos silvestres, o que levou ainda a horticultura de várias espécies botânicas, destacando-se a forte presença da mandioca no cardápio e o domínio das técnicas de cerâmica. A caça, atividade exclusivamente masculina, era muito importante como complemento de proteínas na dieta alimentar dos grupos locais.

Os índios tupinambás batizaram a região de Cabo Frio como Gecay, único tempero da cozinha, feito com sal grosso cristalizado. Nos terrenos onde viria se estabelecer a Cidade de Cabo Frio, foram encontrados quatro possíveis sítios tupinambás. Os dois primeiros, o Morro dos Índios e a Duna Boa Vista, apresentavam indícios de serem acampamentos de pesca e coleta de moluscos, enquanto o terceiro, a Fonte do Itajuru, próxima do morro de mesmo nome, era a única forma segura de abastecimento de água potável e corrente disponível na restinga.


Na referida elevação junto à fonte, o atual Morro da Guia, acha-se o sítio mais importante da região e um dos mais relevantes do Brasil pré-histórico: o santuário da mitologia tupinambá, formado pelo complexo de pedras sagradas do Itajuru ("bocas de pedra" em tupi-guarani). Sobre estes blocos de granito preto e granulação finíssima, com sulcos e pequenas depressões circulares, os índios contavam as histórias dos seus heróis feiticeiros que ensinavam as artes de viver e amar a vida. 


Quando estes heróis civilizadores morriam, transformavam-se em estrelas, até que o sol decidisse enviá-los ao Itajuru, sob a forma de pedras sagradas, para serem veneradas pela humanidade. Caso fossem quebradas ou roubadas, todos os índios desapareciam da face da Terra. Em 1503, a terceira expedição naval portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro sofreu um naufrágio em Fernando de Noronha e a frota remanescente se dispersou. Dois navios, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiram viagem até a Bahia e depois até Cabo Frio. 

Junto ao porto da Barra de Araruama, os expedicionários construíram e guarneceram com 24 "cristãos" uma fortaleza-feitoria para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da Lagoa. Em 1512, este estabelecimento comercial-militar pioneiro efetivou a posse portuguesa da "nova terra descoberta" e deu início à conquista no continente americano, que foi destruído pelos índios tupinambás em função das muitas desordens e desavenças que entre houve entre eles, em 1526. 

Os franceses traficavam pau-brasil e outras mercadorias com os índios na costa brasileira, desde 1504. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente restringiram sua atuação ao litoral da região nordeste. A partir de 1540, por causa do rigoroso policiamento naval português nestes mares, os franceses exploraram o litoral e levantaram os recursos naturais de Cabo Frio. Em 1556, construíram uma fortaleza-feitoria para exploração de pau-brasil, na mesma ilhota utilizada anteriormente pelos portugueses, junto ao porto da Barra de Araruama. A "Casa de Pedra" cabofriense ampliou e consolidou o domínio francês no litoral sudeste, iniciando com a fortaleza de Villegaignon no Rio de Janeiro, um ano antes. A chamada "Guerra de Cabo Frio" aconteceu em 1575. O Governador do Rio de Janeiro, Antonio Salema, reuniu poderoso exército com gente da Guanabara, São Vicente e Espírito Santo, apoiado por grande tropa tupiniquim catequizada. Os oficiais e soldados seguiram por terra e mar, tendo como objetivo liquidar o último bastião da "Confederação dos Tamoios" e acabar com o domínio francês que já durava 20 anos em Cabo Frio. Após o cerco e a rendição da fortaleza franco-tamoia, dois franceses, um inglês e o pajé tupinambá foram enforcados; 500 guerreiros foram assassinados a sangue frio e aproximadamente 1500 índios foram escravizados. As tropas vencedoras ainda entraram pelo sertão, queimaram aldeias, mataram mais de 10.000 índios e aprisionaram outros tantos. Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar e Cabo Frio.


A baixada litorânea, de Macaé até Saquarema, devido à carnificina levada a efeito contra os índios, verdadeiros donos das terras, ficou transformada em um verdadeiro deserto humano, e somente movimentada com a passagem esporádica dos Goytacazes que incursionavam por estas terras à procura da caça e pesca.


Embora os portugueses não tivessem colonizado Cabo Frio após o massacre de 1575, estabeleceram um bloqueio naval mais ou menos eficiente com base na cidade do Rio de Janeiro. Mas, entre 1576 e 1615, com a perda da independência de Portugal para a Espanha, o porto de Araruama voltou a ser freqüentado por navios franceses, ingleses e holandeses em busca de pau-brasil, tornando-se também a base da pirataria contra embarcações portuguesas que procuravam dobrar o cabo.

Depois de 1580, com a submissão de Portugal, a Espanha redobrou a presença destes navios que carregavam as bandeiras inimigas dos castelhanos. 

Para saber mais sobre Cabo Frio e sua história consulte:




Fonte: Alma Carioca

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Dragagem do canal em Cabo Frio

Lagoa de Araruama respira novamente!


Uma verdadeira obra de arte. A nova ponte sobre o canal de Itajurú está pronta e funcionando. Quem passa de carro não imagina a importância que ela tem para a sobrevivência da lagoa de Araruama.


Pela imagem podemos ver como o canal aumentará em largura. Nesse ponto, com a ponte antiga, a distância entre as margens era de apenas 30 metros. Com a nova ponte, após a retirada do aterro, o canal de Itajurú passará a ter 300 metros de largura, além do aumento da profundidade, que aumentará de alguns centímetros para dois metros e meio, possibilitando a entrada de barcos maiores na lagoa.


Para a conclusão do desassoreamento é necessário retirar a antiga adutora que leva água para a Álcalis, em Arraial do Cabo. As mais de 100 colunas obstruem a passagem de água e embarcações, além de impedir a continuação dos serviços de dragagem, pois há o risco de desabamento da estrutura. Segundo a Pró-Lagos, "a remoção da tubulação em si, para baixo da nova ponte, terá um custo de cerca de um milhão e duzentos mil reais, que não foi previsto por ninguém". Mas a Serla assumiu os custos e a remoção acontecerá.


Além da tubulação, dois grandes postes, um em cada margem da antiga ponte, também esperam por remoção. Só assim aquele trecho de terra, acesso da antiga ponte, poderá ser retirado.


Enquanto isso, as dragas prosseguem no seu trabalho.

O aterro feito há mais de 40 anos para permitir a construção de uma ponte pequena, com apenas 30 metros, e a tubulação de água doce que corta a entrada da lagoa, de ponta a ponta, mostram o descaso com que eram tratadas as questões ambientais no passado. Felizmente, parece que a mentalidade dos governantes está mudando e a facilidade de comunicação em muito contribui para que isso ocorra (pelo menos para vigiar e denunciar).

Estas imagens foram feitas hoje cedo, de um telefone celular Nokia 6265. A câmera que seria utilizada, uma Canon S500, apresentou defeito. Felizmente o Nokia 6265 não faz feio e, como sempre, deu conta do recado.



Vamos acompanhar. Essa obra é muito importante e, justiça seja feita, deve ser creditada à Governadora Rosinha Garotinho, em quem não votei, enquanto outros preferiam que as verbas disponíveis fossem aplicadas na baía de Sepetiba. Felizmente prevaleceu o bom senso. Obrigado, Rosinha.


Ao lado da nova ponte está a Marina do Canal Palmer. Haverá melhor lugar para se ter uma casa?